A Anheuser-Busch InBev (AB InBev), maior cervejaria do mundo em receita, elevou seu lucro em dez vezes no segundo trimestre, após a integração com a rival SABMiller, em outubro do ano passado. As vendas da companhia, no entanto, encolheram nos Estados Unidos e no Brasil, seus dois maiores mercados. Para o segundo semestre, a companhia prevê melhoria nos resultados nos dois países.
No segundo trimestre, o lucro líquido chegou a US$ 1,5 bilhão, ante US$ 152 milhões no mesmo intervalo de 2016. A receita aumentou 5%, para US$ 14,2 bilhões, favorecida pela expansão de vendas de marcas de cerveja premium.
O salto no lucro deveu-se principalmente à integração da operação da AB InBev com a SABMiller. Em teleconferência para analistas de mercado e investidores, Carlos Brito, presidente da AB InBev, afirmou que a integração entre os negócios da AB InBev e da SABMiller segue conforme planejado, com sinergias em todos os mercados e não apenas em alguns locais.
Brito destacou que metade dos US$ 2,8 bilhões de ganhos com sinergias esperados com a transação já foram absorvidos. No segundo trimestre, a companhia registrou um ganho de US$ 335 milhões com as sinergias, uma aceleração em relação aos US$ 252 milhões registrados três meses antes. De acordo com Brito, é normal que no processo de integração haja uma curva de aprendizado que acelera os ganhos.
O executivo também afirmou que espera melhora no desempenho da companhia no segundo semestre nas operações dos Estados Unidos e Brasil.
As vendas de cerveja da AB InBev nos Estados Unidos caíram porque os consumidores trocaram as cervejas populares nativas, como Budweiser e Bud Light, por cervejas artesanais, importações mexicanas, vinhos e destilados. Os dados da Nielsen mostram que os volumes de cerveja nos Estados Unidos diminuíram 0,6% no primeiro semestre, ante um aumento de 0,3% em 2016.
Em resposta, a AB InBev anunciou um programa de investimentos nos Estados Unidos com aporte de aproximadamente US$ 500 milhões neste ano e um total de US $ 2 bilhões até 2020.
Em relação à operação brasileira, Brito disse que a recuperação econômica mais lenta no país tem sido uma dificuldade para o mercado de cerveja no curto prazo. Apesar disso, a companhia mantém um otimismo cuidadoso para o desempenho no ano.
As três marcas globais da AB InBev – Budweiser, Stella Artois e Corona – apresentaram crescimento de receita de 8,9% no mundo no segundo trimestre. O avanço foi puxado pela Corona, que cresceu 16,6%. A marca teve um desempenho forte no Reino Unido, na Austrália e na China. Fora do México, a expansão foi de 26,6%. A Stella Artois teve o segundo melhor desempenho do trio, com um acréscimo de 6,6% nas vendas puxado por Argentina e Coreia do Sul. Já a Budweiser cresceu 5,7%, com 11,7% de alta fora dos EUA.
No Brasil, o chamado segmento premium, onde estão as três marcas, teve um incremento entre 17% e 19% no volume no segundo trimestre. A Ambev destacou que Budweiser teve uma expansão de dois dígitos, sem informar o número. O avanço no segmento, no entanto, não foi suficiente para conter a queda de 4,7% no volume total vendido pela companhia, que caiu por conta da menor demanda por conta da crise econômica. A maior presença dos produtos mais caros, no entanto, ajudou a companhia a elevar em mais de 6% a receita por hectolitro.
Fonte: Valor



