Especialista mostra como fragrâncias e aromas estratégicos fortalecem a identidade das marcas e criam conexões emocionais com os consumidores
Muito antes de experimentar um alimento ou uma bebida, o consumidor já começa a formar sua percepção sobre a marca por meio dos sentidos. Entre eles, o olfato ocupa uma posição de destaque, sendo capaz de despertar lembranças, criar conexões emocionais e influenciar expectativas sobre sabor, frescor e qualidade. Por isso, o marketing olfativo vem conquistando espaço como uma estratégia relevante para empresas da indústria de alimentos e bebidas.
Se antes o aroma era visto apenas como uma característica natural dos produtos, hoje ele faz parte da construção da experiência de marca. Padarias, cafeterias, chocolaterias, supermercados, restaurantes, redes de fast food e fabricantes de alimentos têm investido em experiências sensoriais que utilizam fragrâncias para fortalecer o vínculo emocional com o consumidor e tornar suas marcas mais memoráveis.
Segundo Peter Paiva, designer, artesão e empresário especializado na criação de identidades olfativas, o olfato é o sentido mais eficiente para despertar memórias afetivas e gerar reconhecimento de marca.
“Um aroma pode transportar uma pessoa para um momento vivido anos atrás. Quando uma empresa consegue associar esse sentimento à sua marca, ela cria uma conexão que vai muito além do produto e passa a fazer parte da memória do consumidor”, afirma.
Essa capacidade tem explicação científica. O sistema olfativo possui ligação direta com áreas do cérebro responsáveis pelas emoções e pelas lembranças, tornando as experiências relacionadas ao cheiro mais intensas e duradouras. No setor de alimentos e bebidas, essa característica pode reforçar atributos como frescor, qualidade, conforto, indulgência e tradição, influenciando diretamente o comportamento de compra. Para Peter Paiva, limitar o aroma apenas à ambientação dos pontos de venda significa desperdiçar uma oportunidade estratégica. “O cheiro comunica valores e fortalece a identidade da marca. Ele cria uma experiência sensorial capaz de permanecer na memória do consumidor mesmo depois que a compra termina”, explica.
O avanço do marketing sensorial também democratizou o acesso a esse tipo de estratégia. Além das grandes redes, pequenas indústrias, cafeterias, confeitarias, empórios e negócios especializados têm investido em assinaturas olfativas para diferenciar seus ambientes, fortalecer o posicionamento e aumentar a fidelização dos clientes.
Ao longo de mais de 25 anos de atuação, Peter Paiva desenvolveu projetos voltados à criação de experiências sensoriais para diferentes segmentos, incluindo a elaboração de identidades olfativas para atrações da exposição Mundo Pixar, demonstrando como o olfato pode ampliar o envolvimento emocional do público.
Na avaliação do especialista, o consumidor atual valoriza cada vez mais experiências capazes de criar conexões genuínas com as marcas. “As pessoas já não escolhem apenas pelo preço ou pela qualidade do produto. Elas procuram marcas que despertem emoções, criem identificação e ofereçam experiências completas. O aroma é um dos elementos mais poderosos para construir esse relacionamento”, destaca.
Com a crescente valorização da experiência de consumo, o marketing olfativo deixa de ser apenas um diferencial e passa a integrar as estratégias de branding da indústria de alimentos e bebidas. Ao transformar o aroma em um ativo de comunicação, as empresas fortalecem seu posicionamento, ampliam o valor percebido de seus produtos e criam relações mais duradouras com os consumidores.