Crescimento do segmento reflete mudanças no comportamento do consumidor e amplia ocasiões de consumo em um mercado tradicionalmente dominado pelo café quente.
Seguindo uma tendência observada globalmente, o café gelado vem conquistando espaço no Brasil, modificando hábitos e ampliando ocasiões de consumo em um mercado historicamente centrado no café quente. Pesquisas indicam que o público mais jovem, especialmente os nascidos entre 1995 e 2010, tem explorado preparos gelados e combinações inovadoras, priorizando experiências sensoriais diferenciadas.
Dados do Drive Research apontam que, em 2024, apenas 18% dos consumidores americanos declararam preferência pelo café preto tradicional, uma queda de 56% em relação a 2022. No Brasil, embora o café expresso ainda seja amplamente consumido, cafeterias e redes de restaurantes já adaptam seus cardápios para incluir opções geladas e misturas criativas, refletindo essa mudança de comportamento.
Segundo Ezequiel Pereira, gerente de uma unidade de café, “o menu tem se expandido para atender à demanda de clientes que buscam novas experiências com o café”. A busca por preparos refrescantes, combinando diferentes ingredientes, se tornou frequente entre consumidores mais jovens, conforme relata o barista Gustavo Barbosa, que observa uma valorização de sabores e temperaturas inovadoras.
O fenômeno também impacta a esfera social. Com menor inclinação ao consumo de álcool e maior preocupação com o bem-estar, surgiram as chamadas coffee parties – eventos diurnos centrados no café e em encontros sociais, em substituição às tradicionais baladas noturnas. Marco Kerkmeester, especialista em tendências de consumo, observa que essa mudança reflete um estilo de vida focado em saúde, sono regular e socialização consciente.
No contexto familiar, a diferença geracional é evidente: enquanto os pais mantêm o hábito do café quente e tradicional, os filhos experimentam novas possibilidades de consumo, explorando cafés gelados, bebidas aromatizadas e combinações inovadoras.
O crescimento do café gelado no Brasil evidencia, portanto, não apenas uma mudança de preferência, mas também a ampliação de oportunidades de consumo, indicando um mercado que combina tradição e inovação, com impacto direto no comportamento do consumidor e nas estratégias de oferta das cafeterias.