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Food InnovationRadarCresce o consumo de bebidas com menos álcool

Cresce o consumo de bebidas com menos álcool

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Maioria dos jovens prefere produtos com menos calorias

Quando a covid-19 afastou as pessoas dos bares e restaurantes e impôs um cenário desafiador ao mercado de bebidas alcoólicas, uma categoria se destacou positivamente: a de teor alcoólico reduzido ou até mesmo zerado. O segmento chegou a 3% de todo o volume do mercado de bebidas em 2020 e deve crescer 31% até 2024, segundo a IWSR, empresa que produz dados e análises sobre o mercado de bebidas. Por isso, o que antes era um mercado a ser desenhado se consolida e atrai investimentos de grandes fabricantes, incluindo as de vinhos e destilados.

A IWSR analisou o potencial de mercado do segmento em dez países: Austrália, Canadá, França, Alemanha, Japão, África do Sul, Espanha, Reino Unido, Estados Unidos e Brasil. Neles, o volume consumido dessas bebidas cresceu cerca de 1% no ano passado.

Na Europa, já são vistas garrafas de uísque de 20% de teor alcoólico – cerca da metade da graduação comum à bebida. É o caso das versões “light” da escocesa Whyte & Mackay e do uísque Ballantine’s, da francesa Pernod Ricard, lançados em 2019 e no início deste ano, respectivamente.

Nos Estados Unidos, a febre são os “hard seltzers”, cuja composição principal é água gaseificada com sabor e teor alcoólico variando de 3% a 5%.

Para Rodrigo Mattos, analista da indústria de bebidas alcoólicas da Euromonitor, essa é uma tendência para se ficar de olho no Brasil. “No mercado americano, por exemplo, é uma tendência mais desenvolvida e rica, mas o consumidor brasileiro já está buscando mais bebidas de menor teor alcoólico.”

Por aqui, as versões light de rótulos tradicionais ainda não são as apostas da Pernod Ricard, mas a companhia observou algumas mudanças de comportamento. Com o aumento das confraternizações em casa, o interesse do brasileiro por coquetelaria se intensificou e, claro, a procura por coquetéis fáceis, que muitas vezes só utilizam uma dose de bebida diluída em água tônica ou suco. Por isso, a empresa lançou três rótulos no país: Lillet (17% de teor alcoólico), Ramazzotti Rosato (15%) e Amaro (30%).

Camilla Ortenblad, gerente de negócios da Brand Factory, incubadora de marcas e negócios da fabricante francesa, pondera que o Brasil ainda está entrando no mundo ‘low bv’ [baixo teor alcoólico]. “Acho que é algo mais a médio e longo prazo para o mercado brasileiro, que ainda tem o que amadurecer nessa relação do consumo de álcool”, observou.

A espanhola Freixenet, produtora de vinhos e espumantes, também resolveu ampliar seu portfólio no Brasil. Entre julho e agosto, passará a distribuir em todo o país latas do “wine seltzer” da marca MIA. “O mercado nacional ainda é muito tímido, mas a pandemia acelerou as tendências de redução de álcool”, diz Fabiano Ruiz, diretor-executivo da Freixenet Brasil. Vegano, o produto terá apenas 85 calorias por lata e teor alcoólico de 4,9%, bem abaixo dos 11% a 13% de um espumante comum.

Em agosto do ano passado, a companhia trouxe a versão sem álcool de seu espumante. Foram 12 mil garrafas vendidas em cinco meses. “Se eu tivesse mais [produtos], venderia mais”, conta. A experiência do produto trazido em 2020 permite projetar bons números para o MIA, como os de 100 mil latas vendidas ainda no segundo semestre. “Expectativa é de que o produto novo seja 7% a 8% do negócio.”

Conta a favor do lançamento da Freixenet o bom desempenho das bebidas mistas, também chamadas de RTDs (sigla em inglês para “ready to drink” ou pronta para beber). No mundo, a IWSR aposta que a categoria vai crescer 10,2% no intervalo de 2020 a 2025 e, ainda em 2021, vai ultrapassar o consumo de vinho. No Brasil, a Euromonitor registrou um aumento de 48% no volume de RTDs vendidas de 2015 a 2020, para 136 milhões de litros. Até 2025, a projeção é de que chegue a 167 milhões de litros, crescendo mais 23% no período de cinco anos.

Embora não sejam obrigatoriamente de menor teor alcoólico, as bebidas mistas prontas mais comuns no mercado têm, sim, um teor alcoólico menor por serem compostas por outros ingredientes além da dose de bebida e têm caído no gosto do consumidor pela facilidade de ter um drink pronto em mãos.

Mas existem também outros fatores por trás do crescimento mais acelerado das bebidas de menor teor alcoólico. Um deles são os millennials (pessoas entre 25 e 38 anos) e os jovens da geração Z (nascidos a partir de 1995), que mantêm uma relação de consumo de álcool mais moderado do que as gerações anteriores. Eles não deixam de consumir: dados da IWSR apontam que 58% dos respondentes optam por bebidas de menor teor alcoólico, enquanto apenas 14% preferem a abstenção. O entendimento é de que há uma preocupação maior com saúde e qualidade de vida. O novo consumidor não quer sentir os efeitos negativos do álcool e prefere produtos de menor caloria.

“As pessoas querem beber melhor, não querem ficar tão alcoolizadas e querem menos calorias”, diz Leandro Faria, sócio da startup Famiglia Griffo, criada em 2019. Depois de lançar sua versão pronta do drink Negroni e duas opções de vermutes, a empresa lançou agora no mercado um destilado botânico feito à base de ervas e frutas frescas, batizado de Brizê. Com teor alcoólico de 20%, portanto menos da metade da graduação de um gin, a bebida tem somente 62 calorias por 50 ml. “No primeiro ano, [a venda] pode chegar a até 10 mil caixas de 9 litros”, calcula Faria.

 

 

 

 

 

 

Fonte: Valor Econômico 22.06.2021 

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