Uma nova tecnologia de embalagem pode indicar visualmente a deterioração da carne, sem a necessidade de abrir o produto
Desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Kyushu, no Japão, o filme flexível altera gradualmente sua coloração à medida que ocorrem mudanças associadas à deterioração e ainda apresenta capacidade de autorreparo após sofrer cortes.
A tecnologia utiliza antocianinas, pigmentos naturais encontrados em vegetais como batata-doce roxa e repolho roxo, cuja coloração responde às alterações de pH. Enquanto a carne fresca apresenta caráter levemente ácido, a multiplicação de bactérias durante a deterioração libera compostos alcalinos e eleva o pH. O material acompanha essa mudança, passando gradualmente de vermelho-arroxeado para amarelo-esverdeado.
Para aumentar a estabilidade dos pigmentos diante de fatores como luz e calor, os pesquisadores combinaram antocianinas extraídas da batata-doce roxa com UiO66-NH₂, uma estrutura metal-orgânica com estabilidade térmica e química. O sistema mantém as moléculas de pigmento protegidas contra oxigênio, luz e calor, preservando, ao mesmo tempo, sua sensibilidade às variações de pH.
Os pesquisadores da Universidade de Kyushu trabalham agora na possibilidade de criar um aplicativo complementar para smartphones, que permitiria a fabricantes, operadores logísticos e consumidores, avaliar a qualidade dos alimentos em tempo real.
Além das embalagens de alimentos, a equipe considera que a combinação entre ingredientes naturais e nanotecnologia poderá encontrar aplicações em outros tipos de materiais inteligentes.



