Crescimento do uso de medicamentos para perda de peso leva bares e restaurantes a adaptar cardápios, porções e estratégias de consumo
O crescimento do uso de medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida já começa a influenciar o comportamento dos consumidores em bares e restaurantes, levando os estabelecimentos a adaptarem cardápios, porções e ofertas para atender a um público com novos hábitos alimentares.
Dados da ANVISA, levantados pela Fiquem Sabendo e analisados pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), mostram que as vendas das chamadas canetas emagrecedoras cresceram 23,2% no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
A mudança já é percebida pelos empresários do setor. Levantamento realizado pela Abrasel indica que 61% dos estabelecimentos identificaram alterações no padrão de consumo associadas ao uso desses medicamentos. Entre os principais reflexos estão o aumento da procura por porções menores, citado por 64% dos entrevistados, e a redução no consumo de sobremesas, observada por 65%.
Em diferentes regiões do país, bares e restaurantes vêm ajustando seus cardápios para acompanhar essa transformação. Para Paulo Solmucci, Presidente Executivo da Abrasel, o avanço do uso desses medicamentos deverá ampliar os desafios para o setor à medida que os produtos se tornarem mais acessíveis. “Enquanto o uso desses medicamentos esteve restrito às classes A e B, os estabelecimentos tinham como opção o investimento em experiências e produtos de maior valor agregado. Contudo, com a queda da patente e a possível chegada às classes C e D, o consumo deve passar por outro momento de mudança e os estabelecimentos terão que buscar formas de se adaptar”, afirma.
Além da redução no volume consumido, a entidade avalia que o movimento poderá estimular a revisão de cardápios, o desenvolvimento de novas opções de porções e estratégias voltadas à agregação de valor, acompanhando a transformação do comportamento dos consumidores.



