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Food InnovationDestaques Empresas & NegóciosKraft Heinz vende divisão de snacks e busca crescimento fora dos EUA

Kraft Heinz vende divisão de snacks e busca crescimento fora dos EUA

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“Essa transação nos dará mais flexibilidade de repensar nosso portfólio, que está mais antenado com os consumidores atuais, e também vai nos ajudar a reduzir a nossa dívida”, disse o presidente global da companhia em entrevista ao Valor

A gigante Kraft Heinz, controlada pelo fundo 3G Capital, dos bilionários brasileiros Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles, e pelo megainvestidor Warren Buffett, anunciou nesta quinta-feira a venda de seu negócio de snacks, Planters, para a empresa Hormel Foods, por US$ 3,35 bilhões. “Essa transação nos dará mais flexibilidade de repensar nosso portfólio, que está mais antenado com os consumidores atuais, e também vai nos ajudar a reduzir a nossa dívida”, disse Miguel Patrício, presidente global da companhia em entrevista ao Valor.

À frente da empresa de alimentos desde junho de 2019, o presidente global da Kraft Heinz, Miguel Patrício, chegou com a missão de retomar o crescimento e a rentabilidade da companhia, além de rever as estratégias de negócios do grupo.

Em setembro de 2020, já sob sua gestão, a Kraft Heinz levantou US$ 3,2 bilhões com a venda de sua divisão de segmento de queijos naturais, ralados, brancos e especiais para uma afiliada americana do grupo francês Lactalis. Foi o início de um movimento para rever suas marcas e estratégia.

Com os dois desinvestimentos, que somam quase US$ 7 bilhões, a empresa usará parte do dinheiro para reduzir sua pesada alavancagem e também pensar na expansão da companhia fora dos Estados Unidos, que responde por 70% de seu faturamento. Dona das icônicas marcas de ketchup e maionese, a companhia também quer vender produtos mais saudáveis nas prateleiras.

A gigante vinha de resultados financeiros frustrantes. Em 2018, a empresa teve de anunciar uma baixa contábil de US$ 15 bilhões e encerrou o ano com prejuízo líquido de US$ 10,3 bilhões. E também estava apanhando no mercado – as ações da companhia foram penalizadas e a gestão da 3G Capital, conhecida por pesados cortes de custos e aquisições em série, foi colocada em xeque.

No balanço de resultados de 2020 divulgado hoje, a relação dívida líquida/Ebitda da companhia caiu de 4,4 vezes para 3,7 vezes.

“Os resultados foram muito bons, mas ainda mais especiais porque a gente está em um momento de transformação da companhia. Passamos por uma pandemia, que afetou os negócios de foodservice”, disse Patrício.

Segundo o executivo, a venda da Planters, que comercializa amêndoas e castanhas, para Hormel fez todo sentido porque reduz a exposição da companhia a commodities. “É muito importante rebalancear o portfólio para futuro.”

Neste momento, Patrício afirmou que não planeja novos desinvestimentos. “Não estou trabalhando para se desfazer de nada. Estamos trabalhando com um portfólio de produtos de categorias saudáveis, trazendo mais fibras e proteínas.”

Uma das estratégias é avançar em países como o Brasil, onde tem duas fábricas, Rússia e Oriente Médio. Mas a maior ambição de Patrício é crescer na China. Segundo ele, o mercado chinês tem potencial de expansão para Kraft Heinz, mas a companhia ainda não avançou muito por lá.

Apesar dos resultados melhores, a Kraft Heinz ainda tem fortes desafios pela frente. Não somente para seu balanço financeiro. Em meio à pandemia, hábitos de consumo mudaram e os consumidores não estão mais tão fiéis a marcas, afirmou uma fonte.

“Quando eu cheguei aqui, meu maior medo era não conseguir atrair talento porque o valor da companhia tinha caído. Mas a gente conseguiu construir um time incrível, trazendo gente de fora e energizando as pessoas de dentro”, afirmou Patrício.

Com 30 anos de experiência em marketing – Patrício começou sua carreira na Johnson & Jonhson e foi diretor da Coca-Cola -, o executivo estava prestes a se aposentar da Anheuser-Busch InBev quando foi chamado para substituir Bernardo Hees na companhia no início de 2019. Foi convidado pelo sócio da 3G, João Castro Neves, que se juntou ao conselho da Kraft Heinz no mesmo ano, para promover a mudança no grupo. Os dois trabalharam 20 anos juntos na ABI.

Há muito o que se feito na Kraft Heinz e o mercado cobra por uma empresa menos endividada e com crescimento sustentável. Patrício sabe que tem uma pressão pela frente.

“Os acionistas pediram para eu promover o crescimento de forma consistente. Crescimento é o remédio para todos os males. É como esporte: você tem de ganhar”, diz o executivo.

 

 

 

 

 

Fonte: Valor Econômico 11.02.2021 

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