Relatório Taste Charts 2026, da Kerry, aponta a fruta como sucessora do pistache e indica oportunidades de inovação e premiumização para marcas no Brasil e no mercado global
Após dois anos em que o pistache ocupou posição de destaque nas estratégias de inovação, a pitaya surge como o sabor que deve liderar investimentos e lançamentos em 2026. A mudança de protagonismo é apontada pela Kerry no relatório Taste Charts 2026, estudo que reúne dados de consumo, desenvolvimento de produtos, tendências culturais e inteligência de mercado para orientar decisões estratégicas da indústria.
Mais do que um mapeamento criativo, o Taste Charts funciona como uma ferramenta de direcionamento para marcas que buscam reduzir riscos, identificar sabores com potencial de escala e transformar insights de comportamento em vantagem competitiva. O estudo indica onde concentrar esforços de inovação e como alinhar portfólios às novas expectativas do consumidor.
Tradicionalmente associada a mercados asiáticos, a pitaya ganhou relevância global e passou a figurar entre os sabores com maior crescimento em lançamentos de bebidas, doces e produtos alcoólicos. De acordo com a Kerry, a fruta registra taxa média de crescimento anual de 17% em lançamentos globais até 2025, impulsionada principalmente por bebidas refrescantes na Europa e nas Américas. Seu perfil sensorial suave, levemente adocicado e visualmente marcante atende à demanda por experiências que combinam sabor, aroma e apelo estético.
Para a indústria, a ascensão da pitaya representa uma oportunidade concreta de negócio. A expansão da demanda pressiona cadeias produtivas na América Latina e na Ásia, abrindo espaço para novos investimentos agrícolas e práticas de cultivo sustentável. Embora ainda seja considerada um insumo premium, a tendência é que o ganho de escala reduza custos, viabilizando aplicações em categorias de maior volume, como bebidas prontas, sorvetes, snacks e confeitaria. Ao mesmo tempo, o uso de sabores em ascensão permite às marcas agregar valor e sustentar posicionamentos premium.
No Brasil, o preço elevado da pitaya está relacionado à sazonalidade, à oferta limitada e aos custos de produção. A safra ocorre entre dezembro e abril, enquanto a entressafra reduz significativamente a disponibilidade da fruta. Segundo dados da Embrapa Cerrados, a implantação de um hectare de pitaya exige investimento estimado em R$ 60 mil, considerando infraestrutura, mudas, irrigação e manejo. A colheita manual e a sensibilidade da fruta ao transporte também elevam os custos logísticos.
A produção nacional ainda é restrita, com cerca de 1.409 toneladas, distribuídas entre aproximadamente 606 produtores e pouco mais de 1.100 hectares, concentrados principalmente nas regiões Sudeste e Sul. Em contrapartida, o interesse do consumidor cresce, impulsionado pela percepção da pitaya como um alimento funcional, associado a antioxidantes, fibras e vitaminas, o que intensifica a valorização do produto.
No recorte brasileiro, o Taste Charts 2026 destaca o país como um dos polos relevantes de inovação na América Latina. Bebidas, café, cacau e refeições concentram as principais oportunidades de crescimento, com destaque para combinações que exploram frutas tropicais, notas lácteas e sabores indulgentes aplicados a diferentes categorias.
Para Fernanda Fontolan, gerente de Marketing em Taste da Kerry para a América Latina, o relatório cumpre papel estratégico no planejamento das marcas. “O Taste Charts funciona como um mapa de sabores e aromas que orienta a indústria no processo de inovação. Antecipar tendências permite desenvolver produtos com mais inteligência, menor risco e maior probabilidade de sucesso”, afirma.