Projeto do governo paulista aposta em cooperação internacional, qualificação técnica e turismo rural para impulsionar a cadeia produtiva.
A cadeia produtiva de queijos artesanais no estado de São Paulo vem passando por um processo de fortalecimento impulsionado por iniciativas voltadas à qualificação técnica, inovação e valorização da produção regional. No Dia Mundial do Queijo, celebrado em 20 de janeiro, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado destacou avanços em políticas públicas destinadas a ampliar oportunidades para produtores e estimular o desenvolvimento econômico em áreas rurais.
Entre as principais ações está a criação dos Centros de Referência em Queijos Especiais, resultado de um projeto de cooperação internacional firmado com a Embaixada da França no Brasil. Lançada em 2022, a iniciativa prevê a implantação de cinco unidades-piloto no estado, que atuarão como polos de disseminação de conhecimento, capacitação profissional e aprimoramento de técnicas de produção artesanal.
O programa é coordenado pela Apta Regional e reúne instituições como o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), o Instituto de Zootecnia (IZ) e a Defesa Agropecuária, além do Centro Paula Souza e da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp). Especialistas franceses também participam da iniciativa, contribuindo com conhecimento técnico baseado na tradição europeia de produção de queijos artesanais.
A proposta é promover maior padronização de processos, elevar os padrões de qualidade e segurança alimentar e incentivar a criação de produtos diferenciados, ampliando a competitividade da produção paulista.
Como parte do projeto, foi realizado em dezembro de 2025 o primeiro ciclo de capacitação voltado à formação de multiplicadores que irão atuar nos centros de referência. O treinamento reuniu produtores, professores e profissionais do setor, abordando temas como boas práticas de ordenha, controle de qualidade da água, nutrição animal, segurança alimentar e técnicas de fabricação de queijos artesanais.
Além dos aspectos produtivos, a formação também incluiu discussões sobre diferenciação entre queijos industriais tradicionais e produtos artesanais e especiais, muitos ainda em processo de regulamentação no país.
Segundo representantes do projeto, a formação de profissionais especializados responde a uma das principais demandas do setor, especialmente entre pequenos produtores e agricultores familiares que enfrentam escassez de mão de obra qualificada.
Os resultados das políticas de incentivo já se refletem nos dados do Serviço de Inspeção de São Paulo (Sisp). O número de queijarias industriais registradas no estado passou de 70 em 2016 para 97 atualmente. Já no segmento artesanal, o crescimento foi ainda mais expressivo: de 19 estabelecimentos registrados para 104 no mesmo período.
Paralelamente às ações voltadas à produção, o governo estadual também aposta no turismo rural como estratégia de valorização da cadeia queijeira. A Rota do Queijo Paulista conecta fazendas, queijarias e destinos gastronômicos em oito rotas temáticas que abrangem 102 propriedades distribuídas em 77 municípios.
Inspirada em iniciativas consolidadas como as rotas do vinho e do café, a proposta busca integrar agricultura, turismo e cultura regional, estimulando o empreendedorismo local e ampliando oportunidades de geração de renda.
Com o avanço dessas iniciativas, São Paulo consolida sua posição como um dos principais polos de produção de queijos artesanais no Brasil, ampliando a visibilidade e o reconhecimento dos produtos paulistas em mercados especializados no país e no exterior.