Setor encerra 2025 com crescimento no número de cervejarias, avanço das exportações e expansão de categorias premium e sem glúten.
A indústria cervejeira brasileira encerrou 2025 em um dos momentos mais expansivos de sua trajetória recente, impulsionada pelo crescimento da produção, aumento do número de cervejarias registradas e avanço da diversificação de portfólio. Os dados fazem parte do Ministério da Agricultura e Pecuária, divulgados por meio do Anuário da Cerveja 2026.
Segundo o levantamento, o Brasil alcançou a marca de 1.954 cervejarias registradas, distribuídas em 794 municípios — presença equivalente a 14,3% das cidades brasileiras. O desempenho reforça a consolidação do setor mesmo diante de desafios macroeconômicos e impactos climáticos que afetaram cadeias produtivas ao longo do ano.
O estado de São Paulo lidera em número de estabelecimentos, seguido por Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que apresenta a maior densidade cervejeira do país, com uma cervejaria para cada 32 mil habitantes.
O mercado também registrou retomada no volume de produtos cadastrados. Em 2025, o número de cervejas ativas chegou a 44.212 rótulos, enquanto as marcas registradas alcançaram 56.170. O avanço acompanha o fortalecimento de tendências ligadas à premiumização, segmentação de consumo e ampliação da oferta de estilos e categorias.
Entre os segmentos de maior crescimento, as cervejas sem glúten se destacaram globalmente e também no mercado brasileiro. A produção nacional da categoria saltou de 71 milhões para 367,9 milhões de litros em apenas um ano, crescimento de 417,6%, passando a representar 2,35% do volume total produzido no país.
O movimento reflete fatores como maior conscientização sobre restrições alimentares, crescimento de dietas sem glúten e evolução tecnológica na produção cervejeira, permitindo aprimorar sabor, textura e perfil sensorial dos produtos.
No mercado internacional, as exportações brasileiras também atingiram recorde histórico, somando US$ 218,3 milhões em 2025 — avanço de 6,86% em relação ao ano anterior. A cerveja produzida no Brasil chegou a 77 países, impulsionada tanto pela atuação de grandes grupos como a AB InBev, dona de marcas como Brahma, Skol e Antarctica, quanto pelo fortalecimento das cervejarias artesanais brasileiras em mercados de nicho no exterior.
O cenário reforça a evolução do setor cervejeiro nacional em direção a categorias de maior valor agregado, inovação de portfólio e expansão internacional.