Setor avança em empregos, produção e investimentos contínuos, mesmo com pressão de custos, e projeta expansão sustentável em 2026.
A indústria brasileira de alimentos encerrou 2025 com crescimento em faturamento, geração de empregos e produção, mesmo diante de pressões de custos e de um cenário internacional adverso.
Segundo o balanço anual da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA), a indústria de alimentos e bebidas registrou faturamento de R$ 1,388 trilhão em 2025, alta de 8,02%, respondendo por 10,9% do PIB nacional. O mercado interno foi o principal motor do desempenho, com R$ 1,02 trilhão em receitas, sendo R$ 732 bilhões no varejo e R$ 287,9 bilhões no food service, segmentos que avançaram nominalmente 8,4% e 10,1%, respectivamente. A produção física atingiu 288 milhões de toneladas (+1,9%). No campo, o setor manteve papel central como comprador da agropecuária, adquirindo 62% da produção nacional e 68% da agricultura familiar.
“Somos o maior parceiro do campo e esse elo se manteve forte em 2025, garantindo previsibilidade para o produtor rural, fortalecendo sua renda e ampliando a capacidade de escoamento da produção agrícola nacional. O bom desempenho do setor é também um reflexo desse trabalho integrado, que beneficia produtores, indústrias, trabalhadores e consumidores”, avalia João Dornellas, Presidente Executivo da ABIA.
Para sustentar a competitividade, as empresas investiram R$ 41,3 bilhões no ano (+6,8%), sendo R$ 26,7 bilhões destinados à inovação, modernização industrial e novas tecnologias. O montante integra o plano de R$ 120 bilhões previsto para o período 2023-2026, do qual cerca de 97% já foram executados até 2025.
No comércio exterior, as exportações cresceram 0,7%, somando US$ 66,73 bilhões, com presença em mais de 190 países. A Ásia liderou como destino (US$ 27,4 bilhões e 41,1% das vendas), seguida pela Liga Árabe (US$ 10,3 bilhões), União Europeia (US$ 8,7 bilhões) e Estados Unidos (US$ 4,9 bilhões, +9,2%). O saldo comercial do setor atingiu US$ 57,5 bilhões, representando 84,2% do superávit da balança brasileira.
O balanço também aponta que o setor enfrentou aumento de 5,1% nos custos de produção, impulsionado pela alta de matérias-primas, embalagens, energia e combustíveis, mas limitou o repasse de preços ao consumidor. Enquanto o IPCA geral fechou o ano em 4,26%, os alimentos registraram alta de 2,95%, resultado atribuído a investimentos em eficiência operacional. Como a alimentação representa cerca de 25% do orçamento das famílias brasileiras, de acordo com o IBGE, esse movimento teve impacto direto no custo de vida.
A indústria de alimentos também se destacou como principal gerador de empregos na indústria de transformação. Foram criadas 51 mil vagas formais no ano, o equivalente a 44,6% do total de postos industriais. O contingente direto chegou a 2,125 milhões de trabalhadores (+2,4%), enquanto a cadeia ampliada, incluindo agricultura, logística, embalagens e equipamentos, somou 10,6 milhões de ocupações, cerca de 10,3% da força de trabalho do país. A massa salarial cresceu 9,94%, superando a inflação.
Para 2026, a expectativa é de crescimento real de vendas entre 2% e 2,5%, sustentado pela demanda doméstica e por uma recuperação gradual do mercado internacional. A geração de empregos deve avançar entre 1% e 1,5%.
“Em 2026, a combinação de estabilidade da safra, redução gradual dos juros e um ambiente econômico de crescimento moderado, no Brasil e no mundo, cria condições mais previsíveis para o planejamento e o investimento. Ainda haverá desafios, especialmente do lado dos custos, mas o setor entra nesse ciclo com bases sólidas para crescer de forma sustentável, gerar empregos e seguir cumprindo seu papel estratégico no desenvolvimento do país”, finaliza Dornellas.