Executivas de grandes marcas destacam como inovação, diversidade e foco no consumidor estão transformando a gestão e o marketing do setor
A presença feminina em posições de liderança tem ganhado força na indústria de bebidas e contribuído para uma transformação que vai além da gestão dos negócios. À frente de marcas de cervejas, destilados e bebidas prontas para consumo (RTDs), executivas vêm conduzindo estratégias que unem inovação, diversidade e conexão com o consumidor, influenciando tanto o posicionamento das marcas quanto a evolução da comunicação do setor.
Nos últimos anos, o segmento deixou para trás campanhas marcadas por estereótipos e passou a construir narrativas mais representativas e alinhadas às mudanças sociais. Paralelamente, o crescimento da participação feminina em cargos estratégicos fortaleceu uma liderança baseada em colaboração, escuta ativa e desenvolvimento de equipes, sem perder o foco em resultados e desempenho de mercado.
Entre as executivas que lideram esse movimento está Juliana Aguiar, diretora-geral da Estrella Galicia Brasil. Com passagens por empresas como Coca-Cola, Shell/Raízen, L’Oréal e PepsiCo, a executiva destaca que o equilíbrio entre performance, cultura organizacional e conhecimento do consumidor é um dos principais pilares para construir marcas relevantes em uma categoria altamente conectada a experiências e momentos de socialização.
Na Heineken Brasil, a vice-presidente de marketing Cecília Bottai Mondino reforça que as bebidas fazem parte de ocasiões carregadas de significado emocional, tornando essencial compreender os diferentes contextos de consumo. Sua experiência internacional também contribuiu para desenvolver uma liderança que combina consistência global com adaptação às características culturais de cada mercado.
A necessidade de equilibrar identidade global e relevância local também orienta o trabalho de Mariana Santos, diretora de marketing da Budweiser no Brasil. A executiva destaca a importância de interpretar os hábitos, celebrações e preferências do consumidor brasileiro para manter a marca conectada a territórios como esporte, música e entretenimento, preservando ao mesmo tempo sua identidade internacional.
Outro desafio recorrente entre as lideranças do setor é conciliar inovação com o legado de marcas consolidadas. Para Marina Flávia, head de marketing e trade marketing da Cia Müller de Bebidas, manter a relevância exige adaptar portfólio, comunicação e estratégias comerciais às novas demandas dos consumidores sem perder a autenticidade construída ao longo das décadas.
A transformação também passa pela diversificação do portfólio. Na Ambev, Thais Soares, diretora de marketing das marcas Brutal Fruit e Flying Fish, lidera a introdução de novas categorias no mercado brasileiro e aposta na diversidade de perspectivas como ferramenta para estimular criatividade e inovação em um cenário de consumo cada vez mais orientado por experiências.
Na Diageo, Adriana Nogueira, responsável pelas marcas de vodka, gin e cachaça, ressalta a importância de ampliar oportunidades para novas gerações de mulheres na indústria. Sua trajetória reforça o papel da liderança na identificação de talentos e na criação de ambientes que favoreçam o crescimento profissional e a diversidade dentro das organizações.
O empreendedorismo também integra esse movimento. Luciana Lamas, sócia e diretora de comunicação e branding da Lamas Destilaria, acompanhou a evolução de uma empresa familiar que passou de um projeto artesanal para uma marca reconhecida internacionalmente. Para a executiva, o sucesso na categoria depende da capacidade de combinar criatividade, excelência técnica e uma narrativa de marca consistente.
Em comum, essas lideranças demonstram que o mercado de bebidas vive uma fase de renovação, na qual inovação, inclusão e construção de experiências ganham protagonismo. Mais do que administrar grandes marcas, elas contribuem para redefinir a forma como a indústria dialoga com consumidores e fortalece sua relevância em um ambiente competitivo e em constante transformação.