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Food InnovationRadarPerspectivas e tendências do mercado de orgânicos no Brasil

Perspectivas e tendências do mercado de orgânicos no Brasil

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O mercado de orgânicos continuará a crescer e tem um imenso potencial.

Cerca de 22 mil produtores estão cadastrados no Ministério da Agricultura. No ano passado, o mercado de orgânicos no Brasil faturou R$ 4,5 bilhões, o equivalente ao gasto de R$20 por pessoa nesses produtos ao ano.

“Temos ainda muito o que crescer. Os dados mostram que 1 em cada 3 municípios brasileiros tem produtor orgânico regularizado e dentro do Cadastro Nacional. Então menos de 2 mil municípios. Isso nos mostra que a agricultura orgânica cresce e está sendo buscada cada vez mais pelos produtores e pelos consumidores”, disse Luiz Rebelatto, do Sebrae Nacional.

“Antes eram algumas verduras, algumas frutas e hoje em dia, encontramos basicamente de tudo produzido organicamente. Temos um mercado estruturado. Mas a cadeia de orgânicos no Brasil ainda precisa de muitos avanços”, analisou.

Luiz Rebelatto e Joe Valle, proprietário da Fazenda Malunga, apontam sete tendências que podem influenciar o consumo de orgânicos no país:

 Implementação da Agenda 2030: com o crescimento da população mundial e com mais pessoas que moram em cidades, o consumidor deve se tornar mais exigente sobre o que consome e mais preocupado com os recursos naturais. Esta mudança de percepção aumentará a demanda por alimentos mais nobres, mais diversificados, com altos valores nutricionais, produzidos de forma sustentável e mais seguros.

“O consumidor indica um estilo de vida mais saudável, água limpa, o meio ambiente mais cuidado, proteção dos agricultores e estarem distantes dos agrotóxicos e produtos químicos; redução de lixo; redução do impacto da geração de energia. É uma perspectiva de que o consumidor está preocupado e sensível a essas questões”, disse Rebelatto.

Rastreabilidade: saber a origem dos produtos cresce com muita força, impulsionada pela preservação ambiental. Para Joe Valle, a rastreabilidade é uma oportunidade para o produtor se comunicar com o cliente e mostrar todo o seu processo de produção e certificação.

“[A rastreabilidade] é uma exigência de boas práticas no campo. O mínimo que é necessário e é uma exigência de mercado que não vai acabar”, disse Valle.

 Comunidades que Sustentam a Agricultura (CSA): A partir da união em comunidades, os produtores conseguem romper com um mercado cada vez mais competitivo. É uma oportunidade para os produtores se profissionalizarem e terem um contato direto com o consumidor.

 Omnichannel: Os consumidores romperam com a barreira de comprar alimentos online e a tecnologia permite o contato fácil entre comerciantes, produtores e consumidores. A tendência é de expansão de lojas físicas específicas para orgânicos, do comércio eletrônico e da experiência do consumidor para comprar alimentos.

Desde o início da pandemia, a Fazenda Malunga registrou um crescimento de 7 vezes nos pedidos de alimentos pelo aplicativo e entrega por delivery.

Produtos embalados e higienizados: apesar dos produtos a granel terem se tornando, nos últimos anos, uma alternativa importante para reduzir o uso de plástico, com o Covid-19 os consumidores estão comprando alimentos embalados pela sensação de segurança.

Para o produtor da Fazenda Malunga, esta é uma oportunidade para a inclusão de embalagens sustentáveis, que sejam recicláveis ou reutilizáveis, e que não sejam feitas de isopor, por exemplo. “Os clientes não querem pegar produtos in natura que não estão embalados. Isso vai fazer com que os consumidores queiram consumir os produtos higienizados e minimamente processados pela sensação de segurança”, explica.

 Snacks saudáveis: opções de snacks, como cenouras e pepinos pequenos e tomates doces, se tornarão uma grande tendência, especialmente para o consumo infantil.

 Proteína animal e plant based: o mercado de laticínios e proteína animal orgânicos têm grandes lacunas, como produtos suínos, e produtos veganos que são naturais vai crescer.

Joe Valle, proprietário da Fazenda Malunga, alerta que muitos produtos veganos que são feitos à base de plantas são cheios de conservantes, fator que deve ser observado pelos consumidores. Ele ressalta que há muito espaço para investir. Apenas nas suas lojas físicas, o empreendedor registrou um crescimento de 700% nas vendas de produtos veganos em um ano.

Obstáculo

O preço ainda é o principal fator limitante na hora da compra. Uma pesquisa realizada pelo Sebrae com bates e restaurantes constatou que 47% compram produtos orgânicos. Para 62% os preços ainda são altos e 46% responderam que ainda existe pouca diversidade de produtos. No levantamento feito pela Organis, 75% mencionaram que os orgânicos são muito mais caros ou mais caros, por outro lado quase 50% disse que esse preço é justificado pelos benefícios e valores da produção orgânica.

Luiz Rebelatto, do Sebrae Nacional, explica que a remuneração justa dos produtores, os custos com a certificação, a falta de incentivos fiscais, de tecnologia e de logística, e os benefícios da agricultura orgânica são fatores que contribuem para o preço mais alto.

Ele acredita que com o aumento da demanda, o preço será reduzido com o tempo. A expectativa é que o consumo de orgânicos se tornará um hábito no pós-pandemia

“Já havia elementos sobre esse cuidado e vontade do consumidor por produtos com mais qualidade, seguros para o fortalecimento da saúde. Como o produto orgânico só tem coisa positiva, só tem resultados favoráveis, isso se transformará em um hábito e a gente deve criar um círculo vicioso na cadeia produtiva, para que esses negócios floresçam e que continuem crescendo”, concluiu.

 

 

 

 

 

 

Fonte: Organics News Brasil 08.07.2020

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