Investimento de R$ 200 milhões se soma a aporte de R$ 1,6 bilhão em sustentabilidade feito pela Coca-Cola Brasil.
A Solar Coca-Cola, segunda maior engarrafadora da Coca-Cola no Brasil, atrás da operação da Femsa, vai investir R$ 200 milhões por cinco anos em projetos de geração de energia renovável. O objetivo da companhia é ter 100% do consumo de energia vindos de fontes renováveis até 2024.
A Solar firmou um contrato de R$ 50 milhões com o Grupo Brennand Energia, de Pernambuco, para ampliação do parque eólico de Sento Sé (BA), em 135%, para uma capacidade instalada de 365 megawatts (MW) até 2022. O contrato prevê o fornecimento para a Solar de 26 mil MWh por ano, a partir de janeiro de 2021.
“A expectativa é que no ano que vem 20% da energia usada pela Solar já seja renovável”, estimou Orlando Fiorenzano, diretor de planejamento integrado e suprimentos da Solar Coca-Cola. Nos centros de distribuição, a previsão é que 64% da energia consumida seja de fonte solar até o fim de 2021.
A Solar possui 11 fábricas e 34 centros de distribuição, onde emprega 11 mil pessoas diretamente. A companhia produz por ano 1,94 bilhão de litros de bebidas, que são distribuídas para 312 mil pontos de venda no Nordeste e em parte do Centro-Oeste. Em 2019, a Solar cresceu 14,8% em vendas, atingindo uma receita de R$ 5,97 bilhões.
“O passo seguinte será buscar novas fontes de energia, como eólica, solar e cogeração”, acrescentou o executivo. Atualmente, a Solar testa o uso de um biodigestor, que é alimentado com os resíduos industriais, para geração de energia limpa. O biodigestor foi instalado na unidade de Maracanaú (CE). A Solar também usa gás natural renovável nos equipamentos industriais, fornecido pela Companhia de Gás do Ceará.
A Solar investe R$ 28 milhões na substituição de empilhadeiras por equipamentos elétricos. A empresa opera com 200 desses equipamentos nos centros de distribuição e já comprou 50 modelos elétricos. “A intenção é abastecer as empilhadeiras com energia gerada no parque eólico”, disse Fiorenzano.
A companhia testa caminhões a gás, desenvolvidos pela Scania. Fiorenzano disse que o veículo é 15% mais econômico do que caminhões movidos a diesel.
Os aportes da Solar em energias renováveis antecedem a fixação de metas globais na área pela Coca-Cola Company. A múlti tem metas de reciclagem e consumo de água, como a de chegar a 2030 com 100% das embalagens plásticas recicladas.
Thais Vojvodic, gerente de sustentabilidade de Coca-Cola Brasil, disse que a empresa investiu nos últimos cinco anos R$ 1,6 bilhão nas fábricas das dez engarrafadoras da Coca-Cola no país. O principal foco foi a produção de garrafas PET retornáveis. Só na Solar, o investimento em linhas de retornáveis foi de R$ 226,5 milhões.
“Esse investimento permitiu ampliar a oferta de garrafas retornáveis no portfólio total de 5% para 22%”, disse Thais. Ela acrescentou que, hoje, 55% das garrafas PET no Brasil são recicladas e a meta é chegar a 100% até 2030.
A Coca-Cola Femsa não divulga o valor investido em sustentabilidade, mas informou que 85% da energia usada em 2019 era de fontes renováveis. A engarrafadora também reciclou 93,98% dos resíduos industriais, superando a meta global da companhia, de fechar 2020 com 90% dos resíduos reciclados. Nas garrafas PET, a meta da Coca-Cola Femsa é ter 20% do conteúdo das garrafas PET reciclados. Hoje, esse índice é de 11%.
Fonte: Valor Econômico 31.01.2020




