Criada pela Danone e parceiros, iniciativa inaugura na França estrutura para levar bioprocessos da escala laboratorial à industrial
Dois anos após sua criação, a Biotech Open Platform inaugurou em Clermont-Ferrand, na França, sua plataforma de biotecnologia industrial e começou a receber os primeiros projetos de fermentação avançada.
A iniciativa, fundada em 2024 pela Danone, Michelin, DMC Biotechnologies, Crédit Agricole Centre France, Clermont Auvergne Innovation, busca ampliar a escala de processos biotecnológicos desenvolvidos em laboratório e aproximá-los das condições de produção industrial.
Instalada no Centro de Materiais Sustentáveis, no Parque de Inovação Cataroux da Michelin, a infraestrutura recebeu investimento superior a 20 milhões de euros em sua primeira fase. A operação marca a passagem do projeto anunciado há dois anos para uma instalação industrial totalmente operacional.
A estrutura foi desenvolvida para atuar em uma etapa crítica da biotecnologia: a transição entre processos que apresentam resultados promissores em laboratório e sua aplicação em condições representativas da produção industrial. A plataforma atende startups, empresas industriais e organizações de pesquisa no desenvolvimento, otimização, ampliação e validação de processos baseados em fermentação.
Para isso, reúne capacidades de fermentação, purificação e desenvolvimento de bioprocessos, incluindo uma linha completa de fermentação com capacidade de até 15 m³ e sistemas de purificação semi-industriais. Segundo a Biotech Open Platform, essas instalações, ainda pouco disponíveis na Europa, seguem padrões rigorosos, incluindo aqueles aplicáveis à produção de alimentos.
Além da validação técnica dos processos, a infraestrutura possibilita produzir volumes suficientes para testes de aplicação e para as etapas de validação que antecedem a produção comercial, reduzindo a distância entre a prova de conceito desenvolvida em laboratório e sua industrialização.
“A Plataforma Aberta de Biotecnologia foi criada para abordar um desafio muito concreto na biotecnologia: como passar de um processo promissor em escala laboratorial para um processo robusto que possa funcionar em escala industrial. A infraestrutura é importante, mas o equipamento por si só não basta. O aumento de escala requer experiência, conhecimento técnico e a capacidade de resolver os problemas que surgem à medida que o processo passa de uma escala para outra. A confidencialidade e a proteção da propriedade intelectual também são essenciais para as empresas com as quais trabalhamos. Nosso papel é ajudá-las a avançar de forma mais rápida e segura rumo à industrialização”, afirma Khadidja Romari, Diretora Executiva da Biotech Open Platform.
Entre as tecnologias contempladas está a fermentação avançada, que utiliza microrganismos como leveduras, bactérias, microalgas e fungos como sistemas de produção de moléculas de interesse industrial. A fermentação de precisão é uma das abordagens inseridas nesse campo e permite desenvolver proteínas, enzimas e ingredientes alimentares, além de ativos cosméticos e materiais de base biológica destinados a diferentes aplicações.
A proposta da Biotech Open Platform é disponibilizar essa capacidade também a organizações que não participaram da sua criação. A infraestrutura está aberta a startups, empresas industriais e instituições de P&D que enfrentem desafios de ampliação de escala, com equipes e instalações próprias e mecanismos voltados à confidencialidade dos projetos e à proteção da propriedade intelectual.
Para a Danone, uma das fundadoras da iniciativa, a estrutura também se conecta à sua trajetória no desenvolvimento de tecnologias de fermentação. “Há mais de um século, a Danone utiliza a ciência da fermentação para levar saúde, por meio da alimentação, ao maior número possível de pessoas. Com a Biotech Open Platform, estamos fortalecendo um elo crucial no ecossistema biotecnológico europeu, acelerando a ampliação industrial de inovações laboratoriais. A Biotech Open Platform demonstra o valor da infraestrutura compartilhada e das parcerias de longo prazo para o aumento da competitividade europeia”, afirma Antoine de Saint-Affrique, Diretor Executivo da Danone.
O projeto contou ainda com apoio da União Europeia por meio do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), administrado pela Região de Auvergne-Rhône-Alpes, e da Clermont Auvergne Métropole. A iniciativa busca fortalecer a infraestrutura disponível na Europa para transformar desenvolvimentos científicos em aplicações industriais e apoiar novas cadeias de valor baseadas em recursos renováveis.




