Setor avança globalmente enquanto novas categorias, formulações e hábitos de consumo ampliam as oportunidades no mercado cervejeiro
O mercado global de cerveja poderá superar US$ 1,2 trilhão no início da próxima década, acompanhando uma cadeia que combina grande escala econômica e crescente diversificação de produtos. Atualmente, as estimativas situam a receita mundial do setor entre US$ 898 bilhões e US$ 916 bilhões.
As lagers ainda respondem por cerca de 76% da receita global, mas outros segmentos vêm conquistando espaço. O mercado de cervejas artesanais, por exemplo, já movimenta mais de US$ 94 bilhões por ano, enquanto mudanças nos hábitos de consumo estimulam categorias com diferentes propostas, teores alcoólicos e perfis de formulação.
O Brasil ocupa posição relevante nesse cenário. De acordo com o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (SINDICERV), a cadeia cervejeira responde por aproximadamente 2% do PIB brasileiro, movimenta mais de R$ 50 bilhões em impostos anualmente e está associada à geração de mais de 2,5 milhões de empregos. A atividade conecta diferentes elos, desde a produção agrícola e o fornecimento de matérias-primas até fabricação, embalagens, logística, distribuição, comércio e serviços.
Dados do Anuário da Cerveja 2026, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), mostram que o país encerrou 2025 com 1.954 cervejarias registradas em 794 municípios; São Paulo concentra o maior número de estabelecimentos, enquanto a região Sudeste reúne quase metade das cervejarias brasileiras.
A produção nacional chegou a 15,68 bilhões de litros em 2025, em um mercado que contabiliza mais de 44 mil produtos registrados e 56 mil marcas comerciais. As lagers permanecem predominantes, mas a oferta vem incorporando com maior intensidade versões puro malte, sem álcool e sem glúten; esta última apresentou crescimento superior a 417% no volume produzido em apenas um ano.
A diversificação acompanha um consumidor que passou a transitar entre diferentes categorias e ocasiões de consumo. As cervejas sem álcool ganharam maior presença no mercado brasileiro nos últimos anos, enquanto opções com menor graduação alcoólica e formulações sem glúten também vêm sendo incorporadas aos portfólios.
No cenário internacional, dados de 2024 do Global Beer Consumption, da Kirin Holdings, colocam o Brasil entre os maiores mercados consumidores de cerveja e apontam sua contribuição para o crescimento de 1,6% registrado na América Central e do Sul. A China permanece como maior mercado mundial em volume, enquanto a Ásia responde por aproximadamente um terço do consumo global. Em consumo per capita, a República Tcheca mantém a liderança.
O comércio exterior também integra esse desempenho. Em 2025, a balança comercial brasileira de cerveja alcançou superávit recorde de US$ 195 milhões. O Paraguai permaneceu como principal destino das exportações brasileiras, enquanto os Estados Unidos assumiram a liderança entre os fornecedores de cerveja importada em volume.



