Análise da Euromonitor destaca certificações, rastreabilidade e embalagens que influenciam a comunicação sustentável em alimentos e bebidas.
A comunicação de sustentabilidade passa por mudanças em 2026, em um cenário marcado por novas regulamentações, avanço da inteligência artificial no comércio e instabilidade nas cadeias de fornecimento. Os três fatores são apontados pela Euromonitor International como forças que estão redefinindo a maneira como marcas de bens de consumo apresentam seus compromissos ambientais.
O movimento ocorre em um mercado global relevante. Produtos classificados como sustentáveis movimentaram US$ 886 bilhões em 2025 e registraram crescimento médio anual de 6,7% entre 2020 e 2025, desempenho 1,3 ponto percentual superior ao dos produtos convencionais.
Ao mesmo tempo, a pesquisa identifica menor envolvimento dos consumidores com mensagens ambientais abrangentes. Entre 2023 e 2026, a proporção daqueles que afirmam sentir culpa por contribuir para as mudanças climáticas recuou 5,1 pontos percentuais. Já a percepção de que ações individuais podem fazer diferença caiu 3,7 pontos no período.
Certificações ganham relevância em alimentos e bebidas
A comprovação de atributos ambientais ganha importância nesse contexto. Segundo o Sustainability Quarterly Tracker da Euromonitor, o número de SKUs sustentáveis aumentou 10% entre o quarto trimestre de 2024 e o mesmo período de 2025, enquanto os produtos convencionais registraram avanço de 15%.
Globalmente, 40% dos SKUs sustentáveis monitorados no quarto trimestre de 2025 utilizavam alegações próprias sem verificação externa. A situação, porém, varia de acordo com a categoria.
No setor de alimentos e bebidas, a Euromonitor destaca bebidas quentes e produtos lácteos entre as categorias mais avançadas na utilização de certificações e atributos como orgânico, Fair Trade, Rainforest Alliance e B Corp.
A pesquisa também aponta diferenças de posicionamento de preço associadas à comprovação desses atributos. Produtos lácteos plant-based com certificação B Corp apresentaram prêmio de preço de 30%, enquanto o valor chegou a 46% para sucos orgânicos.
A tendência de maior comprovação ocorre paralelamente a mudanças regulatórias. Na União Europeia, a diretiva Empowering Consumers for the Green Transition (EmpCo), aplicável a partir de agosto de 2026, restringe alegações ambientais genéricas, como “eco-friendly”, quando não acompanhadas de comprovação reconhecida.
Rastreabilidade entra em foco
Para determinadas cadeias de alimentos e bebidas, a origem das matérias-primas também ganha relevância. A Euromonitor relaciona o avanço das certificações à implementação do Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).
A regulamentação prevê rastreabilidade em nível de parcela de produção a partir de dezembro de 2026, com o objetivo de assegurar que os produtos abrangidos não estejam associados ao desmatamento ou à degradação florestal.
Nesse contexto, certificações e informações sobre origem passam a integrar um ambiente em que a comunicação de sustentabilidade tende a depender de dados mais específicos e verificáveis.
Embalagens de alimentos e bebidas passam por mudanças
As embalagens representam outra frente destacada pela Euromonitor. Pressões regulatórias, custos de energia e volatilidade das cadeias de fornecimento estão influenciando decisões relacionadas aos materiais utilizados pelas empresas.
A análise cita o Regulamento de Embalagens e Resíduos de Embalagens da União Europeia (PPWR), que estimula mudanças relacionadas à reciclabilidade, conteúdo reciclado, alternativas de origem vegetal, sistemas de refil e redução da dependência de plástico virgem.
Entre os requisitos mencionados estão 70% de reciclabilidade e 30% de conteúdo reciclado em determinados formatos de embalagens de alimentos e bebidas, além da previsão de destinação de 10% do espaço do varejo para soluções de refil até 2030.
A combinação entre regulamentação e custos também aumenta a atenção sobre fornecimento e materiais. Segundo a Euromonitor, empresas estão recorrendo a estratégias como nearshoring e friendshoring para aumentar a segurança de abastecimento e encurtar cadeias produtivas.
Cadeias menores podem contribuir para a redução de emissões de escopo 3 e fortalecer atributos relacionados à origem local. A análise ressalta que apoiar agricultores e economias locais também ganha relevância diante do interesse dos consumidores por questões sociais relacionadas à sustentabilidade.
Comunicação passa a exigir informações mais específicas
A inteligência artificial acrescenta uma nova dimensão a esse cenário. Mais da metade dos consumidores utiliza ferramentas de IA generativa para buscar informações e recomendações, segundo pesquisa da Euromonitor realizada entre janeiro e fevereiro de 2026.
Em 2025, os acessos a sites de comércio eletrônico provenientes de ferramentas de IA cresceram 302%, enquanto as demais fontes avançaram 40%.
Segundo a Euromonitor, mecanismos de descoberta baseados em IA tendem a favorecer descrições estruturadas de produtos, certificações e transparência sobre ingredientes. Para as marcas, a recomendação é concentrar nas embalagens duas ou três alegações claras e fundamentadas, enquanto os canais digitais podem reunir informações mais detalhadas e estruturadas.
Nesse cenário, certificações, rastreabilidade, informações sobre ingredientes e mudanças nas embalagens passam a integrar uma comunicação de sustentabilidade mais específica, em meio a transformações regulatórias, digitais e operacionais que atingem o mercado de bens de consumo.




