Estudo da McKinsey destaca mudanças nos lares brasileiros, diversificação das compras e avanço da inteligência artificial no setor
As transformações no perfil das famílias brasileiras, a diversificação dos canais de compra e a incorporação de novas tecnologias estão redefinindo a dinâmica do varejo alimentar. Segundo estudo da McKinsey & Company, essas mudanças exigem estratégias comerciais mais flexíveis, capazes de acompanhar diferentes necessidades de consumo e integrar experiências físicas e digitais.
O levantamento aponta que, em 2025, o segmento registrou crescimento de 7% na receita, impulsionado principalmente pela elevação dos preços. Paralelamente, o número de canais frequentados pelos consumidores aumentou 45%, enquanto a frequência de compras cresceu 32% e a quantidade de itens adquiridos por visita diminuiu 15%.
Os indicadores revelam uma jornada de consumo mais fragmentada, na qual supermercados, atacarejos, lojas de conveniência e plataformas digitais disputam diferentes ocasiões de compra. Abastecimento doméstico, reposição de produtos, necessidades imediatas e consumo por conveniência ou indulgência influenciam a escolha dos estabelecimentos, tornando a adequação do sortimento e dos serviços um fator importante de competitividade.
Entre as principais transformações identificadas está a mudança na composição dos lares. Nos últimos cinco anos, houve redução de 1,2 milhão de domicílios formados por casais com filhos, enquanto cresceram as famílias monoparentais e os lares unipessoais. Atualmente, 30% dos domicílios brasileiros são ocupados por uma ou duas pessoas, e aproximadamente um terço apresenta perfil sênior.
Essa configuração influencia a demanda por embalagens menores, porções individualizadas e alimentos associados à saúde e ao bem-estar. O estudo também identifica possíveis mudanças nos padrões de consumo relacionadas ao uso crescente de medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, especialmente em categorias como snacks e bebidas.
A redefinição das propostas de valor constitui outro movimento relevante. Enquanto os atacarejos incorporam serviços tradicionalmente associados aos supermercados, como padarias e açougues, as redes supermercadistas intensificam sua competitividade em preços. A diferenciação entre formatos depende cada vez mais da capacidade de atender às necessidades específicas de cada ocasião de consumo.
No ambiente digital, a integração entre canais assume papel central na experiência de compra. A consistência de preços, disponibilidade de produtos e benefícios entre lojas físicas, aplicativos e plataformas de comércio eletrônico é apontada como essencial para preservar o relacionamento com os consumidores.
O avanço do e-commerce reforça essa transformação. Nas categorias de bens de consumo de alto giro, o comércio eletrônico cresceu quatro vezes mais rapidamente que as lojas físicas. Mais de 90% dos ganhos do canal digital estão associados às compras recorrentes e à expansão das entregas rápidas, incluindo alimentos frescos e perecíveis.
A inteligência artificial completa os cinco movimentos identificados pela McKinsey, com aplicações que abrangem personalização de ofertas, gestão comercial e otimização logística. Segundo a consultoria, soluções de IA agêntica podem permitir a economia ou realocação de mais de 50% do tempo das equipes comerciais para atividades estratégicas, além de contribuir para aumentos de 5% a 10% na receita por meio da personalização e reduções de até 20% nos custos logísticos.
Diante dessas mudanças, o estudo aponta três prioridades para o varejo alimentar: adaptar sortimentos e embalagens às características dos diferentes mercados e perfis familiares, integrar os canais físicos e digitais em uma jornada consistente e utilizar a inteligência artificial para aprimorar a produtividade e a eficiência operacional.
A combinação dessas estratégias reflete um mercado no qual o crescimento está cada vez mais associado à compreensão das ocasiões de consumo, à capacidade de personalização e à eficiência na conexão entre produtos, serviços e canais de compra.




