Rede testa opções com mais proteína e porções menores nos Estados Unidos, acompanhando mudanças no consumo associadas aos medicamentos para controle de peso
O crescimento do uso de medicamentos da classe GLP-1 começa a influenciar as estratégias de uma das maiores redes de alimentação do mundo. Nos Estados Unidos, o McDonald’s está desenvolvendo alternativas com maior teor de proteína e porções menores, buscando adaptar seu cardápio às mudanças nos hábitos alimentares dos consumidores.
Entre as opções em teste estão sanduíches e wraps de frango grelhado, bowls e egg bites. Os produtos ainda estão em fase de avaliação, e a companhia não informou uma previsão para que as novidades sejam disponibilizadas nos restaurantes.
A estratégia ocorre em meio à expansão de medicamentos como Ozempic e Mounjaro, associados a alterações no apetite e no volume de alimentos consumidos. Segundo dados apresentados pelo McDonald’s, cerca de 30 milhões de norte-americanos utilizam medicamentos GLP-1, enquanto outros 60 milhões buscam aumentar a presença de proteínas na alimentação.
Esse movimento não significa, porém, o afastamento completo do consumidor das redes de fast-food. Conforme números divulgados pela companhia, em 84% dos lares que possuem um usuário de GLP-1, pelo menos outro integrante continua consumindo produtos do McDonald’s.
A dimensão desse público também chama a atenção da indústria de alimentos. Atualmente, 23% dos lares norte-americanos teriam pelo menos um usuário de GLP-1, participação que, segundo a projeção apresentada pela rede, poderá alcançar 35% até 2030.
Para o setor de food, a movimentação evidencia como transformações relacionadas à saúde e ao comportamento alimentar podem interferir diretamente no desenvolvimento de produtos. Maior densidade proteica, redução das porções e formatos adequados a refeições menores passam a ganhar relevância na construção de novos cardápios.
As mudanças estão inseridas em um plano mais amplo do McDonald’s, que prevê investimentos de US$ 8,5 bilhões ao longo de dez anos. Os recursos também contemplam reformas de restaurantes e iniciativas de apoio aos franqueados. No dia em que a estratégia foi anunciada, as ações da companhia recuaram 6%.
Ao incorporar essas demandas ao desenvolvimento de seu portfólio, o McDonald’s reforça um movimento que pode repercutir em diferentes segmentos da indústria de alimentos, especialmente na criação de produtos que conciliem conveniência, proteína e porções ajustadas às novas ocasiões de consumo.




